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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

domingo, 5 de agosto de 2012

Psicologia Evolucionista - 1

Porque o ser humano é capaz de atos tão heróicos, mas também de outros tão cruéis? Porque fazemos sexo e fazemos guerra? Como indagava o grande Cazuza, porque que a gente é assim?
No final da década de 1980, pesquisadores de diversas áreas interessados no comportamento humano começaram a se perguntar se a teoria da seleção natural de Darwin poderia ajudar a responder esse tipo de pergunta, fundando uma das áreas mais influentes e importantes da psicologia atualmente – a Psicologia Evolucionista.
Charles Darwin
Darwin, ciente das implicações de sua teoria, conclui o seu livro A Origem das Espécies prevendo que “a psicologia será baseada em novos alicerces”. Provavelmente devido ao receio das reações que o seu provocativo livro causaria, Darwin não explorou muito a questão neste livro. Em livros subsquentes como A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais e A Origem do Homem e a Seleção Sexual, Darwin trouxe evidências que indicavam a importância de sua teoria para a compreensão da natureza humana.
Muitas questões levantadas por ele ficaram em aberto e só foram retomadas por volta de 100 anos após a publicação de A Origem das Espécies com o advento da Etologia, da Sociobiologia, da Ecologia Comportamental e, mais recentemente, da Psicologia Evolucionista. Boyer e Heckhausen (2002) consideram a Psicologia Evolucionista como um dos mais importantes desenvolvimentos recentes nas ciências do comportamento.

A Nova Ciência da Mente

Até a década de 1980, grande parte dos grandes teóricos na Psicologia já haviam de alguma forma aludido à teoria da seleção natural quando falaram do ser humano, entre eles William James, Freud e Skinner. Entretanto, nenhum deles explorou devidamente as implicações diretas da teoria da seleção natural para o entendimento do ser humano, se restringindo à homenagens superficiais (Otta e Yamamoto, 2009).
Na biologia, campos como a Etologia e a Sociobiologia já vinham produzindo grandes contribuições na Biologia Evolucionista para o entendimento do comportamento de animais não-humanos e humanos, usando como base o modelo de Darwin. O final da década de 1960 foi marcado pelo surgimento da Ciência Cognitiva, uma área interdisciplinar buscando unir os esforços dos recentes avanços na neurociência, psicologia cognitiva, antropologia, ciência da computação, filosofia e da pesquisa em inteligência artificial para compreender como o ser humano processa informações.
ResearchBlogging.orgFoi da união entre a Ciência Cognitiva e a Biologia Evolucionista que surgiu a Psicologia Evolucionista, uma área de pesquisa com o objetivo de “estudar o comportamento humano como produto de mecanismos psicológicos evoluídos que dependem de inputs internos e ambientais para o seu desenvolvimento, ativação e expressão no comportamento manifesto” (Confer et al., 2010).
De forma simples, a Psicologia Evolucionista tenta entender porque o ser humano se comporta de uma determinada forma, se atentando para a função adaptativa desse comportamento (Izar, 2009).